Lendo a biografia de José Osvaldo de Meira Penna, retiro um trecho muito especial e que pode responder a muitos, mesmo que embora pequeno e humilde seja esse espaço na internet, o prazer e a felicidade que é ESCREVER....
...."Não que devamos esquecer a observação algo cínica de Henri de Montherlant, segundo a qual "não se alimentam os escritores de carne ou frango, mas exclusivamente de elogios". A publicidade e o reconhecimento são apenas justas compensações. Não deveríamos colocá-las no início da refeição, pois são apenas hors d´oeuvres... A substância vem depois do banquete. Escrevemos de fato, quando autênticos, tanto para os outros quanto para nós mesmos. Ao salientar o valor especial da atividade expressiva pela palavra escrita, que se recorde a frase profunda de Saint-John Perse, aplaudido poeta que, durante muitos anos e sob seu verdadeiro nome de Alexis Léger, foi diplomata, Embaixador e Secretário Geral do Quay d'Orsay. Prêmio Nobel de literatura, afirmava Saint-John Perse que a resposta adequada, quando alguém pergunta: "Por que V. escreve?", deve ser a mais breve possível: "Para melhor viver"... À la question toujours posée: "Pourquoi écrivez-vous?", la réponse du poète sera toujours la plus brève: "Pour mieux vivre". Perse alimentava uma visão trágica da vida e compreendo suas angústias. Outro grande poeta francês, talvez o mais eminente do século XIX, Charles Baudelaire, igualmente atormentado por seus fantasmas de volúpia, depressão e morte, explicava: "il faut travailler, sinon par goût, au moins par désespoir, puisque, tout bien vérifié, travailler est mon ennuyeux que s´amuser"... Que o trabalho seja uma maneira de escapar do tédio e da angústia, sobretudo o trabalho intelectual, é bem conhecido dos deprimidos. Não só a tarefa do escritor mas o simples prazer da leitura. Afirmava Montesquieu jamais haver sofrido algum tormento que uma hora de boa leitura não houvesse sarado..."
..."Neste contexto, uma frase de Graham Greene é igualmente relevante: "Escrever é uma forma de terapia". O romancista inglês e personalidade polêmica cuja obra, em certa época, me fascinou, acrescenta em Ways of Escape: "Às vezes me pergunto como é possível que aqueles que não escrevem, compõem ou pintam conseguem escapar da loucura, da melancolia, do medo pânico, inerente à situação humana". ( Biografia de Meira Penna)
"A menos que se seja um cretino, morre-se sempre na completa incerteza de seu próprio valor e do valor de sua obra". (Flaubert)
Robson Miranda.
terça-feira, 10 de maio de 2011
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falou Dr Robson tonilton
ResponderExcluirvamos tratar o Pai de todas as profissoes com mais carinho que e o profesor, e vc e um deles. tonilton guanaes............
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