terça-feira, 10 de maio de 2011

Relatos...

Lendo a biografia de José Osvaldo de Meira Penna, retiro um trecho muito especial e que pode responder a muitos, mesmo que embora pequeno e humilde seja esse espaço na internet, o prazer e a felicidade que é ESCREVER....

...."Não que devamos esquecer a observação algo cínica de Henri de Montherlant, segundo a qual "não se alimentam os escritores de carne ou frango, mas exclusivamente de elogios". A publicidade e o reconhecimento são apenas justas compensações. Não deveríamos colocá-las no início da refeição, pois são apenas hors d´oeuvres... A substância vem depois do banquete. Escrevemos de fato, quando autênticos, tanto para os outros quanto para nós mesmos. Ao salientar o valor especial da atividade expressiva pela palavra escrita, que se recorde a frase profunda de Saint-John Perse, aplaudido poeta que, durante muitos anos e sob seu verdadeiro nome de Alexis Léger, foi diplomata, Embaixador e Secretário Geral do Quay d'Orsay. Prêmio Nobel de literatura, afirmava Saint-John Perse que a resposta adequada, quando alguém pergunta: "Por que V. escreve?", deve ser a mais breve possível: "Para melhor viver"... À la question toujours posée: "Pourquoi écrivez-vous?", la réponse du poète sera toujours la plus brève: "Pour mieux vivre". Perse alimentava uma visão trágica da vida e compreendo suas angústias. Outro grande poeta francês, talvez o mais eminente do século XIX, Charles Baudelaire, igualmente atormentado por seus fantasmas de volúpia, depressão e morte, explicava: "il faut travailler, sinon par goût, au moins par désespoir, puisque, tout bien vérifié, travailler est mon ennuyeux que s´amuser"... Que o trabalho seja uma maneira de escapar do tédio e da angústia, sobretudo o trabalho intelectual, é bem conhecido dos deprimidos. Não só a tarefa do escritor mas o simples prazer da leitura. Afirmava Montesquieu jamais haver sofrido algum tormento que uma hora de boa leitura não houvesse sarado..."

..."Neste contexto, uma frase de Graham Greene é igualmente relevante: "Escrever é uma forma de terapia". O romancista inglês e personalidade polêmica cuja obra, em certa época, me fascinou, acrescenta em Ways of Escape: "Às vezes me pergunto como é possível que aqueles que não escrevem, compõem ou pintam conseguem escapar da loucura, da melancolia, do medo pânico, inerente à situação humana". ( Biografia de Meira Penna)


"A menos que se seja um cretino, morre-se sempre na completa incerteza de seu próprio valor e do valor de sua obra". (Flaubert)

Robson Miranda.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Pensando no Fetiche Brasileiro, por Robson Miranda.




Todas as atenções estão concentradas nesse momento no "dragão inflacionário" que volta a emergir. Vamos começar a desvendar a mentirada que o governo começa a relatar nas declarações, do presidente do Banco Central e na pessoa do Ministro da fazenda.

Com muito empenho político e desgaste popular o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, conseguiu colocar em prática um projeto econômico, que como um "tsunami" conseguiu eliminar a cultura inflacionária que outrora vinha arruinando o poder de compra de todos os brasileiros.

Entendendo ou não, concordando ou não, deve-se creditar a importância vital que as medidas do governo tucano, impactaram e surtiram os efeitos ultra positivos na Economia Brasileira. As privatizações, embora contestadas e muito mau feitas, tiraram o peso do estado de ter que sustentar estatais deficitárias e falidas, que funcionavam como cabides políticos e fonte de desvio de verbas.

Outro fator importante foi a tomada de política monetária como fator de controle inflacionário. Todas as medidas adotadas, até o Plano Real foram pautados em políticas fiscais, ou seja, aumento dos gastos governamentais.


A política cambial, sempre relegada ao ostracismo e apegada ao pensamento mercantilista dos governantes, fazia com que a moeda permanecesse sempre desvalorizada, como forma de incentivo as exportações, o que sempre gerou inflação devido as empresas brasileiras sempre monopolísticas e detentora de grande parte do mercado, regulavam os preços de forma severa.






Então, cultou-se o grande vilão e avatar da economia brasileira: a valorização do Real. Para os iniciantes em Economia, uma desvalorização da moeda incentiva e barateia nossas mercadorias no mercado externo, o que aumenta nossas exportações.A valorização do Real, o contrário acontece. Ótimo, não? Até esse ponto sim, o grande problema é que precisamos de bens de capital para suprir nossa carência em tecnologia, em equipamentos, produtos, ou seja, aquilo que melhora drasticamente nossa indústria e nos torna mais competitivo no comércio internacional.

Todos devem estar se perguntando, se o autor do artigo é contra o aumento das exportações, que aumenta o emprego , a renda, alavanca todas as variáveis reais da economia, e a minha resposta é sim, sou contra essa política simplista de desvalorização da moeda para incremento da economia, visto que somos meros exportadores de produtos de baixo valor agregado, as famosas commodities(feijão, arroz, carne, algodão, cacau, milho, ferro, laranja, soja), que absorvidas pelo mercado externo são agregadas de valor e assim nós volta como: chocolate suíço, roupas de grandes grifes, equipamentos siderúrgicos de última geração, remédios entre outros.

Essa é minha dúvida, meu questionamento. Nossa indústria vem batendo recordes. No ano passado, o crescimento da produção industrial, superior a 10%, foi o maior em 25 anos. O número de empregos criados no setor foi o mais elevado da história, assim como o percentual de empresas que pretendem contratar mais trabalhadores neste ano. Cresceu também o volume de investimentos. Nosso setor manufatureiro passou de oitavo a sexto maior do mundo, ultrapassando França e Reino Unido. Em 2000, nossa indústria era apenas a décima do mundo.

A participação dos produtos industrializados importados no mercado brasileiro está aumentando e nosso volume de exportações caindo. Hoje, excluindo-se veículos, ele é 25% menor do que há três anos. Além disso, nos últimos oito anos, o varejo cresceu mais do que a indústria em todos os anos. Entretanto, as razões dessa disparidade de desempenho são muito mais complexas e profundas do que a simples queda do dólar.

O volume de exportações brasileiras para os EUA, nosso principal destino externo para manufaturados, foi no ano passado 36% inferior ao período anterior à crise. Nossas exportações para Japão e Europa também ainda não retornaram aos patamares pré-crise. Reflexo de uma brutal contração de consumo por lá e forte expansão por aqui, levando nossa indústria e a deles a redirecionar produtos para o mercado brasileiro. Enquanto isso, nossas exportações para a China – o país que mais cresce no mundo e principal importador de nossas matérias-primas – aumentaram 77% apenas em quantidade desde a crise, sem falar no ganho de preço. Em resumo, menores exportações de industrializados para países ricos e maiores importações de lá não refletem nossa fragilidade, mas a deles.

Como a valorização da taxa de câmbio foi apontada como a causa das dificuldades da indústria, o governo vem adotando medidas para limitá-la. Uma delas vem sendo um colossal acúmulo de reservas internacionais – uma espécie de seguro contra crises –, que nos últimos oito anos se multiplicaram quase por dez.

Nos últimos quatro anos, os investimentos públicos em infraestrutura cresceram mais de 50% em termos reais. Ainda assim, desde 2009, gastamos mais com a manutenção de nossas reservas do que com estradas, aeroportos, ferrovias, portos que tornariam o País mais competitivo. Além de investir mais, se gastasse menos com as reservas, o governo poderia reduzir impostos, estimulando nossa produção e consumo.

Vamos acabar com esse fetiche, e realizar urgente as reformas estruturais que estamos precisando.

Robson Miranda.