terça-feira, 14 de setembro de 2010

Saudoso e Genial Roberto Campos, meu grande "mestre"!



Ao ingressar na Ciência Econômica, conheci o Dr. Roberto Campos. Logicamente, através de sua vastíssima e seleta obra.

Me apeguei ao Campos, dentre vários motivos, ressalto alguns: sem dúvida o homem mais lúcido que esse país conheceu, o velho mestre sempre sereno e com alto grau de discernimento, sempre questionava com maestria as legitimidades impostas. Roberto, foi um homem muito acima de seu tempo, sempre atraído por "hienas" ferozes, conseguia ser o mais altivo de bravo felino no meio dos carniceiros, que com pouca bagagem, nunca conseguiram ganhar um embate teórico para ele, também com um robusto conhecimento de Filosofia, História, Economia e Direito, ficava dificil alguém vencer um debate com ele.

Sujeito da mais alta categoria, de origem humilde e pobre nunca culpou suas origens ou muito menos, as questões exógenas por qualquer fracasso, pelo contrário foi a luta, como pobre patenense, subiu na vida com muito dedicação ao estudo.

Roberto Campos, você VENCEU! Esteve certo, quando todos estiveram errados. E como é endêmico em nossa população, só foi valorizado após sua morte. O maior HOMEM que esse Brasil conheceu, a mente mais brilhante e lúcida desse país.

Estudar sobre Roberto Campos é inebriante, esclarecedor e uma luz nesta treva ignara que o país vive.

Robson Miranda....




Colaborador e executor do Plano de Metas do governo JK, criador do BNDES e do Estatuto da Terra, inventor do plano de reestruturação econômica que possibilitou tirar da faixa de pobreza mais de 30 por cento da nossa população, Roberto Campos fez mais por este país do que qualquer outro intelectual brasileiro da sua geração. Mesmo que sua lição tivesse vindo somente pelo exemplo e não por milhares e milhares de páginas de luminosa graça e potente erudição, ele já teria sido um autêntico instrutor e guia da sua pátria: Magister patriae.
Em retribuição, foi também o mais caluniado, desprezado e aviltado personagem em meio século de História do Brasil. E não são coisas de jornais velhos. Ainda circulam livros didáticos que o mostram às crianças com as feições de um Drácula da economia. Mas, com todos esses quilômetros de papel sujo, seus detratores jamais conseguiram intimidá-lo, perturbá-lo ou extinguir seu bom humor. Conseguiram apenas fazer de si mesmos, coletivamente, um monumento à impotência da calúnia e à glória do caluniado.
O dr. Roberto não estava somente fora do alcance das palavras dessa gente: estava além do seu círculo de visão. Ele foi, num ambiente de crianças perversas, um dos raros exemplares brasileiros do spoudaios - o ‘homem maduro’ da ética de Aristóteles - que, tendo feito da objetividade o seu estado de ânimo natural, encarna a autoridade da razão e por isto está apto a fazer o bem ao seu país. O nome disso é humildade. Pois a humildade, dizia Frithjof Schuon, no fundo é apenas senso do real.
- Olavo de Carvalho, filósofo, artigo para O Globo de 13/10/01

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