quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Idiotas úteis!





É esse o homem que hoje, diante de acusações mais que justas - e dirigidas nem mesmo a ele, mas à sua candidata -, choraminga, num show de autopiedade histérica, que levou mais chibatadas que Jesus Cristo e, ao mesmo tempo que clama pelo controle estatal da mídia.


As denúncias que hoje circulam contra o PT, e que tanto enfurecem o sr. Presidente da República, não se comparam, em número e virulência, às que o próprio PT espalhou na mídia e alardeou no Parlamento, ao longo de vinte anos, destruindo ou subjugando as lideranças políticas que pudessem se opor aos seus intentos.


Se hoje um Collor, um Sarney, um Maluf e inumeráveis líderes empresariais beijam a mão do presidente da República (como até o valentão Antônio Carlos Magalhães chegou a beijá-la pouco antes de morrer), é porque o partido dele lhes mostrou quem é o chefe, quem é que manda nesta coisa. E o mostrou a gritos e cusparadas, à força de acusações escabrosas, ameaças e escândalos fabricados, tão numerosos e persistentes que os anos 90 ficariam marcados como a década da bandalheira se depois não viessem o Mensalão, os dólares na cueca, os assassinatos dos prefeitos de Campinas e Santo André, etc. etc., reduzindo a corrupção anterior à escala de roubo de chicletes na cantina da escola.



Ao queixar-se da mídia, o sr. Presidente se esquece de que foi ela a sua principal aliada não só na destruição maciça de reputações perigosas, mas na construção da imagem do PT como paladino da justiça, sem o que jamais esse partido poderia ter chegado ao poder em 2002 nas asas da "Campanha pela Ética na Política", uma apoteose de denuncismo e moralismo hipócrita como raramente se viu.

Sem a transformação da mídia inteira em instrumento da indústria petista do escândalo, o sr. Presidente não teria chegado a ser o sr. Presidente: seria o derrotado de sempre até o momento em que seu partido, superando a repugnância da esquerda pela tradição udenista de combate à corrupção, descobriu o poder criador da difamação e da calúnia.
Longe de tratar o sr. Presidente a chicotadas, como ele se queixa, a mídia, que o criou, sempre procurou poupá-lo e afagá-lo. Vocês já se esqueceram do petismo desbragado da Globo, a mais poderosa rede de TV do País, onde até poucos anos atrás não se podia falar do "presidente operário" sem voz embargada e lágrimas mal contidas de comoção cívica?

Naquela época, o sr. Lula não falava de "mídia golpista" nem se queixava de que "oito famílias" monopolizavam a imprensa deste país. Ele deixava isso para os "radicais", para os jovens enragés que rosnavam no fundo do porão da esquerda, enquanto ele, apadrinhado e beneficiário número um do monopólio, brilhava no palco com a nova identidade tranquilizante de "Lulinha Paz e Amor", pronto a imitar mais tarde o discurso dos enfezados, quando o fim do segundo mandato lhe desse certeza de não precisar mais da ajuda dos protetores de ontem.
Em setembro de 2004 escrevi: "No tempo de Collor, a conversa vagamente suspeita entreouvida por um motorista indiscreto desencadeou a mais vasta investigação que já se fez contra um presidente. Hoje em dia, seis testemunhas mortas no caso Celso Daniel não abalam em nada a reputação de governantes ungidos pelo dom da inatacabilidade intrínseca."

Referindo-me às CPIs de 1993, quando os srs. Dirceu e Mercadante berravam acusações do alto das tribunas como se fossem reencarnações de Marat e Robespierre, prossegui: "É impossível não perceber, hoje, que tudo isso foi apenas um pretexto para aplanar a estrada para o PT, colocá-lo no poder e nunca mais fazer perguntas, aceitando dos novos patrões, com docilidade incuriosa e muda, condutas muito mais suspeitas e extravagantes que as de todos os seus antecessores."

Assim foi em todos os escândalos do governo Lula. Por mais que se revelassem os crimes dos aliados e colaboradores mais próximos do sr. Presidente, o cuidado obsessivo da mídia era um só: preservar a pessoa dele, aceitar como cláusula pétrea do jornalismo nacional a hipótese louca de que ele nunca, nunca sabia de nada.

É esse o homem que hoje, diante de acusações mais que justas - e dirigidas nem mesmo a ele, mas à sua candidata -, choraminga, num show de autopiedade histérica, que levou mais chibatadas que Jesus Cristo e, ao mesmo tempo que clama pelo controle estatal da mídia, diz que o exercício do mero direito de cobrar explicações do seu partido é "uma ameaça à liberdade de imprensa".

Vejam a enxurrada de livros investigativos que espalharam acusações temíveis contra Fernando Collor, contra os militares, contra o Congresso, contra as empreiteiras, e comparem-na ao destino do livro que ousou provar a responsabilidade do sr. Presidente no caso do Mensalão: "O Chefe", de Ivo Patarra, não encontrou um só editor com coragem para publicá-lo. Circula pela internet, como um sussurro proibido.

Liberto de adversários substantivos e elevado ao posto supremo da Nação pelos bons serviços da mídia, esse homem se acostumou de tal modo à subserviência da classe jornalística que já não suporta da parte dela a menor desobediência. E de nada adianta apelar à "opinião pública". Ele, e só ele, é a opinião pública.

Mas, afinal, quem criou as condições para isso foi a própria mídia. Invertendo o senso moral normal, que desprezava os medalhões de cabeça oca e louvava os pobres estudiosos, ela convenceu o país inteiro de que a coisa mais linda, mais louvável, mais meritória, é subir na vida permanecendo analfabeto. Se você cria um monstrengo desses, não tem muito direito de reclamar quando ele, inflado dos aplausos imerecidos com que você mesmo o alimentou, manda você calar a boca e proclama que quem manda é ele.

Por Olavo de Carvalho.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Saudoso e Genial Roberto Campos, meu grande "mestre"!



Ao ingressar na Ciência Econômica, conheci o Dr. Roberto Campos. Logicamente, através de sua vastíssima e seleta obra.

Me apeguei ao Campos, dentre vários motivos, ressalto alguns: sem dúvida o homem mais lúcido que esse país conheceu, o velho mestre sempre sereno e com alto grau de discernimento, sempre questionava com maestria as legitimidades impostas. Roberto, foi um homem muito acima de seu tempo, sempre atraído por "hienas" ferozes, conseguia ser o mais altivo de bravo felino no meio dos carniceiros, que com pouca bagagem, nunca conseguiram ganhar um embate teórico para ele, também com um robusto conhecimento de Filosofia, História, Economia e Direito, ficava dificil alguém vencer um debate com ele.

Sujeito da mais alta categoria, de origem humilde e pobre nunca culpou suas origens ou muito menos, as questões exógenas por qualquer fracasso, pelo contrário foi a luta, como pobre patenense, subiu na vida com muito dedicação ao estudo.

Roberto Campos, você VENCEU! Esteve certo, quando todos estiveram errados. E como é endêmico em nossa população, só foi valorizado após sua morte. O maior HOMEM que esse Brasil conheceu, a mente mais brilhante e lúcida desse país.

Estudar sobre Roberto Campos é inebriante, esclarecedor e uma luz nesta treva ignara que o país vive.

Robson Miranda....




Colaborador e executor do Plano de Metas do governo JK, criador do BNDES e do Estatuto da Terra, inventor do plano de reestruturação econômica que possibilitou tirar da faixa de pobreza mais de 30 por cento da nossa população, Roberto Campos fez mais por este país do que qualquer outro intelectual brasileiro da sua geração. Mesmo que sua lição tivesse vindo somente pelo exemplo e não por milhares e milhares de páginas de luminosa graça e potente erudição, ele já teria sido um autêntico instrutor e guia da sua pátria: Magister patriae.
Em retribuição, foi também o mais caluniado, desprezado e aviltado personagem em meio século de História do Brasil. E não são coisas de jornais velhos. Ainda circulam livros didáticos que o mostram às crianças com as feições de um Drácula da economia. Mas, com todos esses quilômetros de papel sujo, seus detratores jamais conseguiram intimidá-lo, perturbá-lo ou extinguir seu bom humor. Conseguiram apenas fazer de si mesmos, coletivamente, um monumento à impotência da calúnia e à glória do caluniado.
O dr. Roberto não estava somente fora do alcance das palavras dessa gente: estava além do seu círculo de visão. Ele foi, num ambiente de crianças perversas, um dos raros exemplares brasileiros do spoudaios - o ‘homem maduro’ da ética de Aristóteles - que, tendo feito da objetividade o seu estado de ânimo natural, encarna a autoridade da razão e por isto está apto a fazer o bem ao seu país. O nome disso é humildade. Pois a humildade, dizia Frithjof Schuon, no fundo é apenas senso do real.
- Olavo de Carvalho, filósofo, artigo para O Globo de 13/10/01

REFLEXÃO...



Virtudes Ociosas e Bolorentas ( HENRY DAVID THOREAU )


Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa onde a
comida era fina, os vinhos abundantes e o serviço impecável, mas onde faltavam
sinceridade e verdade, e com fome me fui embora do inóspito recinto. A
hospitalidade era fria como os sorvetes. Pensei que nem havia necessidade de
gelo para conservá-los. Gabaram-me a idade do vinho e a fama da safra, mas eu
pensava num vinho muito mais velho, mais novo e mais puro, de uma safra mais
gloriosa, que eles não tinham e nem sequer podiam comprar.
O estilo, a casa com o terreno em volta e o «entretenimento» não representam
nada para mim. Visitei o rei, mas ele deixou-me à espera no vestíbulo,
comportando-se como um homem incapaz de hospitalidade. Na minha vizinhança havia
um homem que morava no oco de uma árvore e cujas maneiras eram régias. Teria
feito bem melhor visitando-o a ele.
Até quando nos sentaremos nós nos nossos alpendres a praticar virtudes ociosas e
bolorentas, que qualquer trabalho tornaria descabidas? É como se alguém
começasse o dia com paciência, contratasse alguém para lhe sachar as batatas, e
de tarde saísse para praticar a mansidão e a caridade cristãs com bondade
premeditada!


A Melhor Companhia ( HENRY DAVID THOREAU )

Considero saudável estar só na maior parte do tempo. Estar acompanhado, mesmo
pelos melhores, cedo se torna enfadonho e dispersivo. Adoro estar só. Nunca
encontrei um companheiro tão sociável como a solidão. Estamos geralmente mais
sós quando viajamos com outros homens do que quando permanecemos nos nossos
aposentos. Um homem quando pensa ou trabalha está sempre só, deixai-o pois estar
onde ele deseja. A solidão não é medida pelas milhas de espaço que separam um
homem e os seus congéneres.

O estudante verdadeiramente diligente de um dos enxames da Universidade de
Cambridge está tão solitário como um derviche no deserto. O agricultor pode
trabalhar sozinho no campo ou nos bosques durante todo o dia, mondando ou
podando, e não se sentir solitário porque está ocupado; mas quando chega a casa,
à noite, não consegue sentar-se numa sala sozinho, à mercê dos seus pensamentos.
Tem que ir onde possa «estar com as pessoas», distrair-se e ser compensado pela
solidão do seu dia; e, assim, interroga-se como pode o estudante estar só em
casa durante toda a noite e grande parte do dia sem se aborrecer ou sentir-se
deprimido. Mas ele não entende que o estudante, se bem que em casa, ainda está a
trabalhar no seu campo, a podar os seus bosques, tal como o agricultor o faz nos
seus e que, por seu turno, procura a mesma diversão e companhia que este, embora
eventualmente de uma forma mais condensada.
Ouvi falar de um homem perdido na floresta e a morrer de fome e de exaustão ao p
é de uma árvore e cuja solidão era aliviada pelas visões grotescas com que,
devido à fraqueza física, a sua imaginação doente o rodeava, e que ele
acreditava serem reais. Assim também, graças à saúde e à força física e mental,
podemos sentir-nos continuamente animados por uma companhia semelhante, se bem
que mais normal e natural, e chegarmos à conclusão de que nunca estamos sós.


Thoreau: "Não há nada a se admirar nas pirâmides, a não ser o fato de tantos homens terem se degradado para construir uma enorme tumba, quando teria sido mais viril e sábio ter simplesmente se afogado no Nilo. (...) As pessoas são patriotas, mas não tem respeito próprio, e sacrificam o maior pelo menor. Amam o solo no qual constroem seus túmulos, mas não têm simpatia alguma pelo espírito que anima sua argila. O patriotismo é o verme de suas cabeças. (...) Enquanto muitos se preocupam com os majestosos monumentos do passado, eu gostaria de saber quem, naqueles dias, não os construiu. Quem estava acima dessas pequenezas."


Ser pequeno, mesquinho, preconceituoso, ressentido, invejoso, tudo isso é muito fácil. E muito tentador.

O desafio que lanço aos meus leitores é outro: sejam grandes!


Robson Miranda!