sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Reflexões Matinais....

Acordei com vontade de escrever, na quietude da manhã chega-me um dos melhores devaneios. Ao som de periquitos, e sabiás vou pensando que falta nesse mundo obscuro e alienado em que vivemos, o que falta ? Não quero responder, cada um sabe o que te faltas. Só um conselho universal, se quiser curar algum mal que te aflinge, bata de frente com o problema, só assim você resolverá ele.

Hoje fiquei de saco cheio da rotina, do cotidiano pensei em fazer algo diferente mas, falta-me a coragem, falta o sentimento principal dos reacionários o desapego das coisas. Sou muito apegado, principalmente a aquilo que me faz melhor e mais forte, vide minha família e queridos amigos, pensei em tudo que não queria mais em minha vida e quer saber?! Estou de saco cheio daqueles que não me fazem bem. Sou justo, idealizador, aguerrido, coerente, verdadeiro para aqueles que me fazem bem já não me interessa mais os outros. Viva la vida!


Estou estudando antropologia, percorri milhares de páginas dos livros do Roberto da Matta, me senti com um intelecto minúsculo, sem lucidez. Seus livros são inebriantes, confesso que me interessa muito essa área, não fosse a paixão e a vontade de atuar como profissional na área que escolhi para ser, confesso que me habilitaria a mais de graduação. Estou lendo, três livros de cada um aprendo uma coisa, de Osho adquiro serenidade, de Burky sua sabedoria e Campos lucidez.


Vamos viver como se fosse viver para sempre. Não existe nesse mundo algo mais importante que os valores, a família, a vida. Nada é mais sério, mais profundo, mais consistente, mais grandioso que esses valores, que estão sendo desprezado pela mediocridade em torno. Vamos viver para sermos patrimonio das nossas familias, para que nossa obra atravesse os séculos. Quando cessemos de existir, sermos lembrados principalmente por este detalhe: aqui nasceu e viveu um dos mais autênticos e verdadeiros homem dessa família.

" Cansei de gente chata...."

Robson Miranda Araújo Guanaes...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A lição de Ali.







... a história que se passa com o genro de Maomé, Ali. Um excelente orador, cujos discursos estão entre os mais belos da literatura universal, Ali foi um fracasso total como político, mas um grande guerreiro. Conta-se que, numa das batalhas, ele encurralou um inimigo, conseguiu desarmá-lo e encostou a espada em sua garganta. O inimigo então o xingou; ele ficou perplexo, colocou a espada na bainha e foi embora. Em seguida, o inimigo diz: " você está com a espada na minha garganta, me derrotou, e só porque o xingo... venci você com um xingamento?" Ele diz: " não, não é isso, é que fiquei com raiva de você, e se o matasse, eu não seria mais um guerreiro, seria um assassino, porque o teria matado por raiva pessoal e não tenho nada contra você. Isso aqui é guerra.."

Esse rebaixamento geral das expectativas, dos valores da vida, é um dado constante na sociedade brasileira e é um tremendo desestímulo. Faz com que haja no processo educacional muitos fenômenos de aborto, de indivíduos que vão se desenvolvendo até certo ponto e de repente têm uma crise, um pânico. Uma crise muito comum é a do indivíduo que percebe que, quando está percebendo algo, sabendo algo que os outros não sabem ou não percebem, cria-se uma dificuldade de comunicação. Por exemplo, se você é muito apegado a seu grupo de amigos de juventude, não pode se educar, porque ou você os educa a todos juntos ou vai amadurecer mais do que eles e eles vão se tornar uns chatos para você e não vão gostar mais de você. A educação tem esse preço, aquele que sabe não é facilmente compreendido pelo que não sabe. Muitas pessoas, quando constatam isso, recuam ou caem no seu processo educacional e se castram espiritualmente, para não perder amizades ou apoio familiar, que evidentemente não valem a pena.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Idiossincrasias....

Vou caminhando...

Minha vida interior é muito mais intensa que a exterior...

Os que me veem não me entendem....

Nem eu me entendo...

Sempre me elevando.....

Parecendo menor, aos olhos....

Dos que não sabem voar...

Vivo minha vida, sigo minha verdade...

Errei, acertei, errei, acertei...

Sinto que a cada dia me torno melhor....

Mais forte...

Aguerrido....

Justo...

Idealizador....

São tantas coisas findas....

Que já estou com saudades de mim...

Do meu próprio eu...

Robson Miranda...

Complexo de Vira Latas.





Nelson Rodrigues já dizia há muito tempo que, o brasileiro sofre de um complexo endêmico de inferioridade, é um vira-lata por inteiro. Demorou muito tempo, para que eu entendesse essa frase, após estudar e refutar antropologicamente a narrativa dos brasileiros pude perceber essa idiossincrasia.

É notório, evidente todos os dias ocorrem o complexo de vira-lata. No Brasil, artigo de luxo é sinal de nobreza, engraçado é que na Europa ser "chique", nobre, é curtir as bujingagas africanas, conhecer o Burkina Faso e passear no Egito. No campo político, é visível nosso complexo ancestral, o que se vê aqui é sempre o contrário de todo o mundo desenvolvido, o brasileiro é quem trabalha para os políticos, não o contrário. Ser político no Brasil é status, em vez de ser dever. Quer dizer, pagamos um salário para esses venturosos, apostamos nossa confiança, sustentamos esses sanguessugas, e no final nós que pedimos favor a eles?! Que inversão de conduta não acham?

Engraçado, se experimentássemos adotar um exemplo nórdico, especialmente, da Noruega onde políticos não são remunerados, quantas pessoas se habilitariam para concorrer ao pleito? Acho que poucas. Essa é a evidência clara do complexo de vira-latas, viver em manadas, seguindo pastores que são manadas, ora bolas, é simples se somos os patrões deles porque o contrário é que acontece? Na Estônia, país pobre, mas desenvolvidos em aspectos culturais, é diferente eles que concorrem entre si para que a população os aprove.

Não podemos esperar muito dos vira-latas, geralmente são presunçosos, marcados por um complexo de inferioridade tremendo, sempre ostentando títulos desmerecidos para sustentar uma superioridade patética. Nesse país, o carro, como na época medieval onde o cavalo era sinal de nobreza, se tornou símbolo de status, como pode, vivemos constantemente em engarrafamentos gigantescos, não temos ainda as estradas, os preceitos e já temos os carros, os corolários. Quantos vira-latas?!

O patrimônio público já demonstra ninguém nesse país respeita o que é de todos, é só freqüentar uma praça pública, um banheiro, procurar um orelhão, geralmente estão acabados, sucateados pela ação contínua de vira-latas.

Herança maldita portuguesa, sinais dos tempos da coroa portuguesa, povo mercantilista, incapaz de distinguir o belo do bonito, nem tudo que reluz é ouro.

Num país onde o programa com maior cota de patrocínios é o BBB Brasil ( Big Bosta Brasil), fica complicado exigir das pessoas. Assistir diariamente vagabundos que comem e dormem e ainda ouvir ainda serem chamados de heróis, sendo que verdadeiros heróis sobrevivem com menos de um salário mínimo que lhe permitam uma vida digna, são chamados de vagabundos, é complicado tirar o ranço de vira-latas ostentando título de pastor alemão.

Coitados desses pobres vira-latas(a raça), ser comparado a esses porcos. Querias tu, parecer com esses cachorrinhos simpatissíssimos, sempre alegre e afetuosos.

Robson Miranda.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Roberto Romano: “Nossa sociedade não respeita o que é público”






Professor de Filosofia e Ética Política na Unicamp, Roberto Romano acredita que o povo brasileiro ainda está aprendendo a viver em grandes sociedades urbanas. Enquanto isso não ocorre, segundo ele, persiste a falta de respeito com o patrimônio público e os demais cidadãos. Confira a entrevista concedida ontem, desde São Paulo, por telefone:

Zero Hora – Falta civilidade ao brasileiro?

Roberto Romano – Como em todas as relações sociais, há um movimento de imitação. Quando você tem um sistema político onde o recurso público é usado para fins privados, você tem uma sociedade onde o que é público não merece respeito. Pode estragar, quebrar. Nossa sociedade não tem o costume de respeitar o que é público e elege governantes que também não respeitam. É um espelhamento.

ZH – O cidadão não se sente responsável pelo espaço que é público?

Romano – Exatamente, é algo que não é assunto dele. É território de caça, de aventura. Não existe norma pública que seja respeitada, e o maior exemplo disso é o trânsito. Na faculdade de Sociologia, no primeiro ano aprendemos que existe uma coisa chamada expectativa de reciprocidade de comportamento. Se você entra numa rua, você espera que o outro venha pela mão dele. Mas isso não é visto em sua plenitude aqui no Brasil.

ZH – Essa falta de civilidade vem aumentando ou está diminuindo?

Romano – O fato é que ainda vivemos o rescaldo da urbanização no brasil. Nós tínhamos a cultura rural, ou de pequenas cidades, onde todos se conheciam e as relações eram mais pessoais. Havia relação de autoridade com os fazendeiros, com o padre, o juiz. Desde os anos 50, o Brasil entrou em uma onda rapidíssima de urbanização.

ZH – O senhor quer dizer que ainda não aprendemos a viver em cidades?

Romano – Exatamente. Saímos do sertão e não nos adaptamos ainda ao ritmo das grandes urbes. Somos manadas de pessoas que não têm padrões de comportamento coletivo. Na Europa, as cidades têm 2 mil anos. Os EUA também tiveram uma urbanização rápida, mas a nossa foi mais tardia. Tem pessoas que ocupam determinados status sociais, mas não sabem o que fazer com ele. Temos uma classe média violenta, que só conhece o poder do dinheiro ou da força física. Se tem um salário razoável, um carro importado, o resto não existe.

ZH – O senhor acredita ser possível um avanço em curto prazo?

Romano – Não. É um processo civilizatório, e ainda estamos vivendo as dores do parto de uma sociedade urbana. Vamos sentir essas dores enquanto não conseguirmos criar padrões de comportamento de massa civilizados.

Fonte: Zero Hora